O decreto vem sendo cumprido?

A lei que Marta regulamentou em 2001 foi sem dúvida uma tentativa de progresso na área da exclusão social. Mas estamos aqui hoje, quatro anos depois, e vemos que muita coisa não está sendo alterada. Temos cerca de 8 mil moradores de rua na capital, e esse não é um problema deles ou do governo, é um problema de todos nós, que não gostamos quando vemos seres humanos nessas condições de extrema miséria e pobreza.

Além de melhorar e ampliar os albergues, havia outros tópicos no projeto assinado. A Lei previa também a criação de cooperativas para criação de emprego, um tipo de banco de empregos para ajudar na qualificação e inserção do morador de rua no mercado de trabalho. Entre as várias medidas do projeto constava ainda o estabelecimento de moradia provisória para atender o sem-teto que já esteja trabalhando e não precise mais morar nos albergues. O projeto estabelecia um tipo de "república" para abrigar estes moradores.

Outro objetivo do decreto era informatizar todas as informações relativas as vagas nos abrigos e albergues municipais. Antes, a conferência de vagas era feita por telefone em toda a rede de atendimento. O serviço informatizado possibilitaria também acrescentar informações sobre o estado de saúde de cada morador de rua que busca atendimento nos abrigos.

Basta darmos um passeio no centro da cidade para vermos flagelados dormindo nos bancos das praças ou sobre viadutos. Isso é um indício de que muito ainda precisa ser feito. Na questão dos albergues, recomendo a todos uma visita, para ver se a informatização já foi feita em todos eles. Devemos acreditar?



 Publicado por Vinicius às 19h10
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   Você se lembra do primeiro ato de Marta?

A atual prefeita Marta Suplicy, apesar de não ter dado muita ênfase aos moradores de rua nessa campanha, já fez alguma coisa a respeito logo no dia 2 de janeiro de 2001, seu segundo dia de governo. Ela assinou um decreto regulamentando projeto de Lei Municipal de 1995, de autoria da vereadora Aldaíza Sposati (PT), que visava beneficiar os moradores de rua.

A Lei previa a criação de centros de referência e documentação para poder ajudar pessoas sem moradia a tirar documentos e dar um endereço fixo como referência. A falta de endereço é um dos principais problemas na obtenção de emprego. Outro item do projeto estava voltado para aferir a qualidade do atendimento oferecido nos albergues e abrigos municipais. O objetivo era tentar evitar as condições de insalubridade e a falta de privacidade, que são comuns nesses locais.

O texto da Lei era de 1995 e foi aprovado pela Câmara Municipal em 1996, mas Paulo Maluf, prefeito na ocasião, vetou o projeto. A Câmara derrubou o veto em abril de 1997 mas o então prefeito, Celso Pitta, entrou com uma ação de inconstitucionalidade contra a Lei. Pressionado por entidades que trabalham com moradores da rua, Pitta retirou a ação em 1998 mas não regulamentou a Lei que, portanto, não pôde ser aplicada.



 Publicado por Vinicius às 18h55
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   Como funciona o trabalho

A sopa é distribuída de 2º a 5º feira no início da noite. O ponto de distribuição é o Viaduto Condessa de São Joaquim, na região central de São Paulo. As pessoas recebem também pão, água, frutas, doces e não é só alimento que a instituição propicia para os mais necessitados, um outro grupo de voluntários, chamado grupo das crianças, faz desenhos, brincadeiras e pinturas com as crianças e durante tudo isso é ensinado aos pequenos noções de higiene, amizade e educação.

Além de toda essa lição de cidadania, os voluntários da "Turma da Sopa" promovem um bazar beneficente para vender qualquer tipo de doações que eles recebem, como peças de roupas e sapatos usados, eletrodomésticos, mobílias etc. O bazar é realizado semanalmente para quem tiver interesse. A ONG, mensalmente, também monta 130 cestas básicas que atendem 130 famílias necessitadas. As cestas são compostas por produtos de primeira necessidade, como arroz, feijão, óleo, açúcar, macarrão, farinha e molho de tomate.

Esse trabalho vai muito mais além do que somente distribuir sopa para moradores de rua, a "Turma da Sopa" realiza várias ações para poder ajudar quem mais necessita. 



 Publicado por Vinicius às 11h24
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   Trabalho fundamental

A ONG "Turma da Sopa" não somente distribui sopa para os moradores de rua, mas realiza também um trabalho que, talvez, seja mais importante do que qualquer outro. A instituição procura melhorar a auto-estima do morador. A maioria deles está infeliz com a vida que leva, porque, em alguns casos, eles tinham família, um bom emprego e uma vida social normal e agora haviam perdido tudo de mais importante. Por esse motivo é que a ONG precisa de mais voluntários, não só para aumentar a  caravana de distribuição de sopas, mas também para ter mais pessoas para conversar com os moradores, dar um apoio psicológico a eles.

A "Turma da Sopa" procura criar um vínculo com o morador de rua para que ele adquira confiança nos voluntários e passe a vê-los como amigos e não como alguém que apenas distribui sopa para quem precisa.  



 Publicado por Vinicius às 06h58
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   O mapa da miséria

Os menos favorecidos que moram nas ruas não ficam em qualquer local. Os lugares onde há maior concentração de mendigos e pedintes são igrejas e locais de grande circulação de pessoas, como praças públicas, entradas de estações de trem e metrô, nos arredores de padarias, restaurantes, bares e supermercados.

O motivo pelo qual os mendigos "escolhem" esses tipos de lugares é devido ao grande desperdício de alimentos, então, ao final do dia, eles recolhem prováveis restos de comida saciar sua fome.

O centro da capital paulista abriga uma grande quantidade desses "moradores" justamente por ser um local de enorme movimentação e também porque a maior parte das praças públicas se encontram nesta região.



 Publicado por Vinicius às 07h11
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   Preconceito errôneo

Em um país como o nosso, em que há uma péssima distribuição de renda e, conseqüentemente, uma vultosa desigualdade social, pessoas ricas e pobres convivem lado a lado. É possível encontrar miséria e abandono ao lado de grandes mansões. Não existe mais lugar onde não possamos ver mendigos perambulando pelas ruas, pedindo esmolas, dormindo ao  relento etc. Por esse motivo, os dois opostos convivem muito próximos e só aumenta ainda mais o preconceito aos moradores de rua.

Com o aumento da violência, muitos deles são confundidos com bandidos e também são temidos por uma parte da população, principalmente, pela classe mais privilegiada da sociedade. Isso torna a vida dos flagelados ainda mais difícil.



 Publicado por Vinicius às 06h56
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   Flagelados alcoolizados

Muitos desamparados são encontrados alcoolizados na rua. Mas qual o procedimento tomado? Hermínia Costa, 54 anos, que ocupa um cargo administrativo no pronto-socorro Vergueiro, do Hospital do Servidor Público Municipal, explica: 

"Normalmente o morador de rua chega bêbado, levado pela polícia ou até por conta própria, e logo recebe glicose na veia para se recuperar. Como a maioria tem problemas psiquiátricos, são encaminhados para hospitais psiquiátricos, que não têm condições de manter o flagelado por muito tempo e logo o devolve às ruas. Assim forma-se um círculo vicioso."

É bastante curioso o fato de que os próprios moradores de rua irem por conta própria ao pronto-socorro. Isso já virou um hábito entre os moradores da região.



 Publicado por Vinicius às 09h50
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   Os excluídos dos excluídos

Parte dos moradores de rua possuem deficiência de algum tipo, seja ela física ou psiquiátrica.

Um indivíduo com alguma disfunção psiquiátrica quase sempre é rejeitado pelos familiares e por essa razão se vêem em situação de rua. Normalmente são levados a hospitais psiquiátricos, mas a maioria teria de ficar muito tempo em tratamento e são devolvidos às ruas. Esse problema, aliado com o alcoolismo, torna improvável o reinserção do indivíduo à vida social.

A deficiência física também é um motivo para o aumento do número de desabrigados. Estes também são obrigados pedir esmolas nas praças de grande circulação para sobreviverem. Eles sofrem bastante com a falta de oportunidades de emprego.  



 Publicado por Vinicius às 08h15
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   A rotina de um morador de rua

A vida de um flagelado é muito árdua. A maioria pensa que é uma vida fácil, que eles apenas dormem e bebem durante a maior parte do dia e ainda pedem esmolas. Mas essa não é a realidade. Muitos deles trabalham como catadores de papel, puxando pesadas carroças repletas de material reciclável para ganharem poucos centavos no fim do dia.

E há um bom motivo para uma grande parte das pessoas sem-teto consumirem bebidas com forte teor alcoólico, como a cachaça. Além de a dose ser extremamente barata, ela ajuda a suportar o forte frio noturno das ruas. Isso é para uma pessoa pensar antes de criticar algum desamparado alcoolizado.



 Publicado por Vinicius às 07h49
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   Uma tragetória de insucesso

Pouca gente sabe, mas muitas pessoas que moram nas ruas possuem família e já foram bem sucedidas na vida profissionalmente. Por vários motivos elas perderam tudo, inclusive o apoio dos entes queridos e viram-se sem um teto para viver, tendo então a rua como único lugar para abrigarem-se. Se fizermos uma pesquisa iremos descobrir que muitos deles já foram advogados, comerciantes, empresários etc. Isso mostra que essas pessoas desamparadas possuem qualidade e merecem uma chance de reinserção na sociedade. Mas isso é muito difícil de acontecer, porque o mercado de trabalho exige cada vez mais qualidade dos candidatos e se já é complicado para quem tem uma casa para morar e família que é a base de tudo imagina para quem vive nas ruas.

Por essa razão o trabalho que a ONG "Turma sa Sopa" faz é maravilhoso, pois um dos objetivos da instituição é tentar recolocar o morador de rua na vida social e também reaproximar as pessoas de volta para suas famílias. Porém, há dificuldades porque a maioria das ONGs não tem muito dinheiro e sobrevivem basicamente de doações e trabalho voluntário. Os cidadãos deveriam ter consciência e pensar nesse assunto, porque, no futuro, muitos podem estar na mesma situação e necessitarão de ajuda e, provavelmente, o auxílio virá de alguma dessas instituições não-governamentais e não do governo que é omisso em algumas questões sociais.



 Publicado por Vinicius às 22h35
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   O encontro da generosidade

No dia 19 de novembro será realizado uma manifestação pública na praça da Sé para lembrar os três meses do início das mortes dos moradores de rua do centro de SP. Os manifestantes pretendem entregar à Secretaria de Segurança Pública um documento com soluções para melhorar a segurança dos moradores de rua.

Iniciativas como essa demonstram que há preocupação com as pessoas desamparadas que não possuem um teto para dormir. Esse tipo de manifestação é um ato de generosidade e de extremo respeito ao próximo, pois os moradores de rua são seres humanos como todos nós e merecem dignidade. Se eles não tiveram sorte na vida e, por qualquer motivo, encontraram as ruas como único lugar para viver, não podem ser esquecidos pela sociedade e devem ser respeitados, mesmo morando nas ruas. 



 Publicado por Vinicius às 12h08
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   Justiça à vista

O tema sobre as mortes de moradores de rua voltou a ser pautado pela mídia. Depois de três meses dos primeiros ataques a notícia agora é que o Ministério Público de São Paulo vai acusar formalmente os suspeitos de agressão aos mendigos, dois deles são policiais. Outros dois soldados estavam presos temporariamente desde o dia 16 de setembro e agora foi decretada a prisão preventiva deles e de mais um suspeito.

Parece que a justiça está sendo feita. O Ministério Público está agindo para punir os acusados e, de uma certa forma, proteger os moradores de rua que possuem uma vida tão difícil e estão à margem da nossa sociedade.

 



 Publicado por Vinicius às 11h53
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   O que o governo faz?

Existem algumas ações preventivas do governo federal gerenciadas pela Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social (SEADS), como o "Abrigo de apoio à Criança e o Adolescente", que visa o atendimento integral institucional à 5.505 crianças e adolescentes em situação de abandono, risco pessoal e social, com recursos de R$ 2,3 milhões.

Há o "Programa de Apoio à Pessoa Idosa", com atendimento integral institucional a 17.518 idosos em situação de abandono, sem família ou impossibilitadas de conviver com suas famílias, e atendimento em centro dia e centro de convivência. Os investimentos foram de R$ 6,2 milhões.

Existe um programa exclusivo do governo estadual chamado "Ajuda ao Migrante e à População de Rua", que possibilita ao migrante e a população em situação de rua condições de fixação territorial, auto-sustentação e reintegração social. Os investimentos de R$ 6,9 milhões beneficiam, atualmente, 13 mil pessoas no Estado.

Iniciativas como essas são muito mais eficazes, pois são preventivas. É mais adequado combater a causa do problema, e não o problema em si. Mas como esse mal é antigo, também são necessárias propostas para minimizá-lo, como a última apresentada.



 Publicado por Vinicius às 07h43
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   A Moda das ONGs

Ultimamente, está na moda ajudar algum tipo de ONG. Artistas, cantores, apresentadores, atores e qualquer tipo de celebridade se beneficiam da ajuda prestada a esse tipo de instituição a fim de melhorar sua imagem junto ao público e se passarem por boas pessoas. O mesmo acontece não só no meio das celebridades, mas também entre profissionais que visam ter um sucesso maior dentro de sua empresa no meio publicitário.

Tudo isso é muito bonito, mas a intenção que alguns deles têm é de se promover às custas das ONGs. Seria muito melhor que esse tipo de assistência fosse um ato de cidadania. A "Turma da Sopa" não dispensa o auxílio de celebridades, mas seria mais interessante que ajudassem pela nobre causa da organização de tirar os moradores das ruas e encaminhá-los para um reinício.



 Publicado por Vinicius às 07h01
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   Impunidade

No próximo dia 19 completará três meses do início do massacre dos moradores de rua no centro de São Paulo. Foram 15 vítimas, 7 moradores morreram com golpes na cabeça e 8 ficaram feridos. No começo este era um dos principais assuntos da mídia abordados diariamente em jornais de grande circulação e nos principais canais de TV.

Foram formuladas várias hipóteses sobre os possíveis autores do caso. Uma das possibilidades seria a ação dos grupos radicais (de origem neo-nazistas) skinheads. Comentou-se que poderiam ser comerciantes revoltados com os moradores que dormiam na porta de seus estabelecimentos que pagaram assassinos profissionais. Outra hipótese era que a própria polícia teria matado os moradores por revolta.

Hoje, ninguém divulga mais nada sobre o caso, parece que a mídia esqueceu o grave problema. O assunto da moda agora é outro, que não sabemos até quando irá durar. As investigações, infelizmente, não puniram nenhum culpado, talvez porque os moradores de rua não têm muita importância para a população ou não convém punir as partes envolvidas.



 Publicado por Vinicius às 08h14
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HISTÓRICO
 21/11/2004 a 27/11/2004
 14/11/2004 a 20/11/2004
 07/11/2004 a 13/11/2004
 31/10/2004 a 06/11/2004
 24/10/2004 a 30/10/2004
 03/10/2004 a 09/10/2004
 12/09/2004 a 18/09/2004



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   O decreto vem sendo cumprido?

A lei que Marta regulamentou em 2001 foi sem dúvida uma tentativa de progresso na área da exclusão social. Mas estamos aqui hoje, quatro anos depois, e vemos que muita coisa não está sendo alterada. Temos cerca de 8 mil moradores de rua na capital, e esse não é um problema deles ou do governo, é um problema de todos nós, que não gostamos quando vemos seres humanos nessas condições de extrema miséria e pobreza.

Além de melhorar e ampliar os albergues, havia outros tópicos no projeto assinado. A Lei previa também a criação de cooperativas para criação de emprego, um tipo de banco de empregos para ajudar na qualificação e inserção do morador de rua no mercado de trabalho. Entre as várias medidas do projeto constava ainda o estabelecimento de moradia provisória para atender o sem-teto que já esteja trabalhando e não precise mais morar nos albergues. O projeto estabelecia um tipo de "república" para abrigar estes moradores.

Outro objetivo do decreto era informatizar todas as informações relativas as vagas nos abrigos e albergues municipais. Antes, a conferência de vagas era feita por telefone em toda a rede de atendimento. O serviço informatizado possibilitaria também acrescentar informações sobre o estado de saúde de cada morador de rua que busca atendimento nos abrigos.

Basta darmos um passeio no centro da cidade para vermos flagelados dormindo nos bancos das praças ou sobre viadutos. Isso é um indício de que muito ainda precisa ser feito. Na questão dos albergues, recomendo a todos uma visita, para ver se a informatização já foi feita em todos eles. Devemos acreditar?



 Publicado por Vinicius às 19h10
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   Você se lembra do primeiro ato de Marta?

A atual prefeita Marta Suplicy, apesar de não ter dado muita ênfase aos moradores de rua nessa campanha, já fez alguma coisa a respeito logo no dia 2 de janeiro de 2001, seu segundo dia de governo. Ela assinou um decreto regulamentando projeto de Lei Municipal de 1995, de autoria da vereadora Aldaíza Sposati (PT), que visava beneficiar os moradores de rua.

A Lei previa a criação de centros de referência e documentação para poder ajudar pessoas sem moradia a tirar documentos e dar um endereço fixo como referência. A falta de endereço é um dos principais problemas na obtenção de emprego. Outro item do projeto estava voltado para aferir a qualidade do atendimento oferecido nos albergues e abrigos municipais. O objetivo era tentar evitar as condições de insalubridade e a falta de privacidade, que são comuns nesses locais.

O texto da Lei era de 1995 e foi aprovado pela Câmara Municipal em 1996, mas Paulo Maluf, prefeito na ocasião, vetou o projeto. A Câmara derrubou o veto em abril de 1997 mas o então prefeito, Celso Pitta, entrou com uma ação de inconstitucionalidade contra a Lei. Pressionado por entidades que trabalham com moradores da rua, Pitta retirou a ação em 1998 mas não regulamentou a Lei que, portanto, não pôde ser aplicada.



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   Como funciona o trabalho

A sopa é distribuída de 2º a 5º feira no início da noite. O ponto de distribuição é o Viaduto Condessa de São Joaquim, na região central de São Paulo. As pessoas recebem também pão, água, frutas, doces e não é só alimento que a instituição propicia para os mais necessitados, um outro grupo de voluntários, chamado grupo das crianças, faz desenhos, brincadeiras e pinturas com as crianças e durante tudo isso é ensinado aos pequenos noções de higiene, amizade e educação.

Além de toda essa lição de cidadania, os voluntários da "Turma da Sopa" promovem um bazar beneficente para vender qualquer tipo de doações que eles recebem, como peças de roupas e sapatos usados, eletrodomésticos, mobílias etc. O bazar é realizado semanalmente para quem tiver interesse. A ONG, mensalmente, também monta 130 cestas básicas que atendem 130 famílias necessitadas. As cestas são compostas por produtos de primeira necessidade, como arroz, feijão, óleo, açúcar, macarrão, farinha e molho de tomate.

Esse trabalho vai muito mais além do que somente distribuir sopa para moradores de rua, a "Turma da Sopa" realiza várias ações para poder ajudar quem mais necessita. 



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   Trabalho fundamental

A ONG "Turma da Sopa" não somente distribui sopa para os moradores de rua, mas realiza também um trabalho que, talvez, seja mais importante do que qualquer outro. A instituição procura melhorar a auto-estima do morador. A maioria deles está infeliz com a vida que leva, porque, em alguns casos, eles tinham família, um bom emprego e uma vida social normal e agora haviam perdido tudo de mais importante. Por esse motivo é que a ONG precisa de mais voluntários, não só para aumentar a  caravana de distribuição de sopas, mas também para ter mais pessoas para conversar com os moradores, dar um apoio psicológico a eles.

A "Turma da Sopa" procura criar um vínculo com o morador de rua para que ele adquira confiança nos voluntários e passe a vê-los como amigos e não como alguém que apenas distribui sopa para quem precisa.  



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   O mapa da miséria

Os menos favorecidos que moram nas ruas não ficam em qualquer local. Os lugares onde há maior concentração de mendigos e pedintes são igrejas e locais de grande circulação de pessoas, como praças públicas, entradas de estações de trem e metrô, nos arredores de padarias, restaurantes, bares e supermercados.

O motivo pelo qual os mendigos "escolhem" esses tipos de lugares é devido ao grande desperdício de alimentos, então, ao final do dia, eles recolhem prováveis restos de comida saciar sua fome.

O centro da capital paulista abriga uma grande quantidade desses "moradores" justamente por ser um local de enorme movimentação e também porque a maior parte das praças públicas se encontram nesta região.



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   Preconceito errôneo

Em um país como o nosso, em que há uma péssima distribuição de renda e, conseqüentemente, uma vultosa desigualdade social, pessoas ricas e pobres convivem lado a lado. É possível encontrar miséria e abandono ao lado de grandes mansões. Não existe mais lugar onde não possamos ver mendigos perambulando pelas ruas, pedindo esmolas, dormindo ao  relento etc. Por esse motivo, os dois opostos convivem muito próximos e só aumenta ainda mais o preconceito aos moradores de rua.

Com o aumento da violência, muitos deles são confundidos com bandidos e também são temidos por uma parte da população, principalmente, pela classe mais privilegiada da sociedade. Isso torna a vida dos flagelados ainda mais difícil.



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   Flagelados alcoolizados

Muitos desamparados são encontrados alcoolizados na rua. Mas qual o procedimento tomado? Hermínia Costa, 54 anos, que ocupa um cargo administrativo no pronto-socorro Vergueiro, do Hospital do Servidor Público Municipal, explica: 

"Normalmente o morador de rua chega bêbado, levado pela polícia ou até por conta própria, e logo recebe glicose na veia para se recuperar. Como a maioria tem problemas psiquiátricos, são encaminhados para hospitais psiquiátricos, que não têm condições de manter o flagelado por muito tempo e logo o devolve às ruas. Assim forma-se um círculo vicioso."

É bastante curioso o fato de que os próprios moradores de rua irem por conta própria ao pronto-socorro. Isso já virou um hábito entre os moradores da região.



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   Os excluídos dos excluídos

Parte dos moradores de rua possuem deficiência de algum tipo, seja ela física ou psiquiátrica.

Um indivíduo com alguma disfunção psiquiátrica quase sempre é rejeitado pelos familiares e por essa razão se vêem em situação de rua. Normalmente são levados a hospitais psiquiátricos, mas a maioria teria de ficar muito tempo em tratamento e são devolvidos às ruas. Esse problema, aliado com o alcoolismo, torna improvável o reinserção do indivíduo à vida social.

A deficiência física também é um motivo para o aumento do número de desabrigados. Estes também são obrigados pedir esmolas nas praças de grande circulação para sobreviverem. Eles sofrem bastante com a falta de oportunidades de emprego.  



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   A rotina de um morador de rua

A vida de um flagelado é muito árdua. A maioria pensa que é uma vida fácil, que eles apenas dormem e bebem durante a maior parte do dia e ainda pedem esmolas. Mas essa não é a realidade. Muitos deles trabalham como catadores de papel, puxando pesadas carroças repletas de material reciclável para ganharem poucos centavos no fim do dia.

E há um bom motivo para uma grande parte das pessoas sem-teto consumirem bebidas com forte teor alcoólico, como a cachaça. Além de a dose ser extremamente barata, ela ajuda a suportar o forte frio noturno das ruas. Isso é para uma pessoa pensar antes de criticar algum desamparado alcoolizado.



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   Uma tragetória de insucesso

Pouca gente sabe, mas muitas pessoas que moram nas ruas possuem família e já foram bem sucedidas na vida profissionalmente. Por vários motivos elas perderam tudo, inclusive o apoio dos entes queridos e viram-se sem um teto para viver, tendo então a rua como único lugar para abrigarem-se. Se fizermos uma pesquisa iremos descobrir que muitos deles já foram advogados, comerciantes, empresários etc. Isso mostra que essas pessoas desamparadas possuem qualidade e merecem uma chance de reinserção na sociedade. Mas isso é muito difícil de acontecer, porque o mercado de trabalho exige cada vez mais qualidade dos candidatos e se já é complicado para quem tem uma casa para morar e família que é a base de tudo imagina para quem vive nas ruas.

Por essa razão o trabalho que a ONG "Turma sa Sopa" faz é maravilhoso, pois um dos objetivos da instituição é tentar recolocar o morador de rua na vida social e também reaproximar as pessoas de volta para suas famílias. Porém, há dificuldades porque a maioria das ONGs não tem muito dinheiro e sobrevivem basicamente de doações e trabalho voluntário. Os cidadãos deveriam ter consciência e pensar nesse assunto, porque, no futuro, muitos podem estar na mesma situação e necessitarão de ajuda e, provavelmente, o auxílio virá de alguma dessas instituições não-governamentais e não do governo que é omisso em algumas questões sociais.



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   O encontro da generosidade

No dia 19 de novembro será realizado uma manifestação pública na praça da Sé para lembrar os três meses do início das mortes dos moradores de rua do centro de SP. Os manifestantes pretendem entregar à Secretaria de Segurança Pública um documento com soluções para melhorar a segurança dos moradores de rua.

Iniciativas como essa demonstram que há preocupação com as pessoas desamparadas que não possuem um teto para dormir. Esse tipo de manifestação é um ato de generosidade e de extremo respeito ao próximo, pois os moradores de rua são seres humanos como todos nós e merecem dignidade. Se eles não tiveram sorte na vida e, por qualquer motivo, encontraram as ruas como único lugar para viver, não podem ser esquecidos pela sociedade e devem ser respeitados, mesmo morando nas ruas. 



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   Justiça à vista

O tema sobre as mortes de moradores de rua voltou a ser pautado pela mídia. Depois de três meses dos primeiros ataques a notícia agora é que o Ministério Público de São Paulo vai acusar formalmente os suspeitos de agressão aos mendigos, dois deles são policiais. Outros dois soldados estavam presos temporariamente desde o dia 16 de setembro e agora foi decretada a prisão preventiva deles e de mais um suspeito.

Parece que a justiça está sendo feita. O Ministério Público está agindo para punir os acusados e, de uma certa forma, proteger os moradores de rua que possuem uma vida tão difícil e estão à margem da nossa sociedade.

 



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   O que o governo faz?

Existem algumas ações preventivas do governo federal gerenciadas pela Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social (SEADS), como o "Abrigo de apoio à Criança e o Adolescente", que visa o atendimento integral institucional à 5.505 crianças e adolescentes em situação de abandono, risco pessoal e social, com recursos de R$ 2,3 milhões.

Há o "Programa de Apoio à Pessoa Idosa", com atendimento integral institucional a 17.518 idosos em situação de abandono, sem família ou impossibilitadas de conviver com suas famílias, e atendimento em centro dia e centro de convivência. Os investimentos foram de R$ 6,2 milhões.

Existe um programa exclusivo do governo estadual chamado "Ajuda ao Migrante e à População de Rua", que possibilita ao migrante e a população em situação de rua condições de fixação territorial, auto-sustentação e reintegração social. Os investimentos de R$ 6,9 milhões beneficiam, atualmente, 13 mil pessoas no Estado.

Iniciativas como essas são muito mais eficazes, pois são preventivas. É mais adequado combater a causa do problema, e não o problema em si. Mas como esse mal é antigo, também são necessárias propostas para minimizá-lo, como a última apresentada.



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   A Moda das ONGs

Ultimamente, está na moda ajudar algum tipo de ONG. Artistas, cantores, apresentadores, atores e qualquer tipo de celebridade se beneficiam da ajuda prestada a esse tipo de instituição a fim de melhorar sua imagem junto ao público e se passarem por boas pessoas. O mesmo acontece não só no meio das celebridades, mas também entre profissionais que visam ter um sucesso maior dentro de sua empresa no meio publicitário.

Tudo isso é muito bonito, mas a intenção que alguns deles têm é de se promover às custas das ONGs. Seria muito melhor que esse tipo de assistência fosse um ato de cidadania. A "Turma da Sopa" não dispensa o auxílio de celebridades, mas seria mais interessante que ajudassem pela nobre causa da organização de tirar os moradores das ruas e encaminhá-los para um reinício.



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   Impunidade

No próximo dia 19 completará três meses do início do massacre dos moradores de rua no centro de São Paulo. Foram 15 vítimas, 7 moradores morreram com golpes na cabeça e 8 ficaram feridos. No começo este era um dos principais assuntos da mídia abordados diariamente em jornais de grande circulação e nos principais canais de TV.

Foram formuladas várias hipóteses sobre os possíveis autores do caso. Uma das possibilidades seria a ação dos grupos radicais (de origem neo-nazistas) skinheads. Comentou-se que poderiam ser comerciantes revoltados com os moradores que dormiam na porta de seus estabelecimentos que pagaram assassinos profissionais. Outra hipótese era que a própria polícia teria matado os moradores por revolta.

Hoje, ninguém divulga mais nada sobre o caso, parece que a mídia esqueceu o grave problema. O assunto da moda agora é outro, que não sabemos até quando irá durar. As investigações, infelizmente, não puniram nenhum culpado, talvez porque os moradores de rua não têm muita importância para a população ou não convém punir as partes envolvidas.



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